16/04/14

Porque há coisas que para mim só fazem sentido assim

Hoje calhei de ler esta entrevista. Tinha ouvido falar no livro e nas dores de cabeça que provocou a alguns pais, fiéis seguidores do Método Estivel (é assim que se escreve?) mas não tive curiosidade suficiente para pesquisar e ler.
Hoje tropecei na entrevista. E gostei. Tanto que estou a pensar comprar o livro.
E acho que só li o texto, porque perdi uns segundos a pensar no título "Bésame mucho, como criar os filhos com amor".
 
Dei por mim a pensar se há outra forma de criar os nossos filhos, sem ser com amor...
 
Ouço vezes sem conta que a Maria é muito mimada. De familiares. De conhecidos. Se me importo? Verdadeiramente? Não.
A Maria é uma criança educada, que tem noção dos limites (dela e dos nossos). É doce. Não é de fazer birras porque sim. Se é mimada? Pois claro que sim. E digo esta parte sem qualquer culpa ou falso moralismo. Quem não gosta de se sentir amado?
Sempre que me apeteceu pegar nela ao colo em bebé peguei (e sim, ouvia o típico "pega nela, pega que vais ver que depois não quer estar deitada e não te deixa dormir". E o mais curioso é que (quase) sempre deixou).
Sempre que me apetece hoje pegar nela ao colo, pego.
Sempre que me apetecia dar-lhe beijos e abraços apertados, dei.
Sempre que me apetece dar-lhe beijos e abraços apertados, dou.
 
E eu já disse que não e cedi depois dela chorar. Não cedo sempre. Mas sempre e nunca são palavras de que não gosto. E já senti olhares recriminadores por fazer cedências. Por estar disposta a negociar se entendo que é importante para ela e se não faz diferença nem mal a ninguém.
E já gritei com ela em momentos em que não devia ter gritado (porque não tem culpa que eu esteja mal disposta) e já lhe poupei uma ou outra reprimenda, apenas porque no momento não me apeteceu ir por ali.
Eu tenho dúvidas. Muitas dúvidas, enquanto mãe. Claro que me pergunto se é certo. Claro que me interrogo quando um comportamento dela sai fora do padrão que espero (como aconteceu ontem, em que me pediu para a ir buscar a casa dos meus tios, quando foi ela a pedir para ir para lá, e deu como única justificação ter saudades).
 
Agora há uma coisa de que não duvido nada. Temos uma relação única. Entendemo-nos bem. Sei o que resulta com ela. Sei que não vale a pena falar torto ou insistir quando é uma coisa que ela não quer. Sei que é boa a negociar e que me ensina muito mais sobre a vida do que aquilo que tenho capacidade para lhe ensinar.
E sei que juntas, temos ainda muito para aprender. 
 

02/04/14

Hoje é o dia do teu aniversário avó

E eu sei que, lá onde tu estás, hoje é dia de festa.
 
Parabéns avó.
 
E uma imenso Obrigada por aquilo que ficará comigo para sempre...

31/03/14

do fim-de-semana

Ela acordar a sorrir, dizer um sonoro bom dia e dar-me um xi apertadinho enquanto me conta que sonhou que a família andava a deslizar num arco-íris feito de cera e que tinha sido muito divertido <3
 
Conhecermos o mais recente membro da nossa família alargada, o bebé G. que "é tão pequenino e fofinho".

Terminarmos o dia com um não programado encontro com amigos nossos e com a amiga do coração da catraia, a Rita. E jantarmos por lá, todos juntos. E terminarmos o jantar e eles quererem ir brincar para o parque. E lá ficaram até já passar das 11h da noite, enquanto nós aproveitamos para por a conversa em dia.
 
E um dia inteiro de ronha e de sofá, com frio, vento e chuva lá fora.

24/03/14

note to self

Da próxima vez em que me passar pela cabeça deixar de ter este blog, de registar o que me vou lembrando dos ditos da princesa é favor lembrar-me sempre de como é bom ler aquilo que escrevemos em tempos idos. 
E pensar em como um dia ela gostará de ler.
Foram só 5 minutos e meia dúzia de posts que consegui ler e o meu sorriso deve dizer tudo. Já não me lembrava bem como ela era uma papagaio com 18 meses e nas conversas dela. Já não me lembrava que ela gostava de comer yocos à sobremesa (agora não adora, muito menos à sobremesa).
 

o coelho Tamboril

No sábado tivemos que ir ao Norte Shopping. Para a catraia, Norte Shopping quer dizer Disney Store e lá fomos espreitar.
Depois de muita indecisão (e choro à mistura), porque afinal era tudo lindo e ela escolhia uma coisa e a seguir não queria aquilo e queria outra coisa, acabou por decidir-se por um bowling das princesas (piroso que só ele).
Já na caixa, pergunta-me a menina se queria aproveitar a promoção e levar um pelucho do coelho Tambor. Eu olhei para ela e esperava que ela dissesse que não (afinal até acho que ela nunca viu o Bambi).
Resposta: "Querooooo! Mãe tu não sabes que eu adoro o coelho Tamboril!?!"
 

20/03/14

porque ser biju quando se pode ser princesa?

Catraia a falar sobre a minha madrinha: "Não gosto da tia. Ela é uma chata!"
"Maria, não é nada chata. A tia gosta muito de ti... Porque é que a tia é chata?"
"Porque me chama biju e biju é nome de bebé!"
"Então como queres que ela te chame? Maria?"
"Princesa está bom para mim!"

a madrinha e as férias da Páscoa

"Mãe, falta muito para chegarem as férias da Páscoa?"
"Não princesa, está quase."
"É nas férias da Páscoa que eu vou dormir a casa da madrinha?"
"Sim, princesa."
"Oh mãe, achas que eu posso ficar lá a dormir 8 dias?!?"
 
se aos 5 já se quer pirar de casa 8 dias nas férias da Páscoa, prevejo uma adolescência para lá de animada. M-E-D-O

porque ontem foi dia do pai

Saí da empresa a correr. Parei para fazer compras no supermercado. Fui a casa dos meus pais buscar a dupla maravilha (aka Maria & Carlota). Saí de casa dos meus pais sem a dulpa maravilha que a Maria quis ficar com os avós e ir com eles para minha casa. Parei para comprar pão. Cheguei a casa. Fiz a sobremesa. Jantar. Entradas. Por esta ordem. E ainda tive tempo de colocar a toalha na mesa antes dos meus pais e o meu mano chegarem para jantar.
O pai lá de casa chegou já depois das 8h. E ela orgulhosa ofereceu-lhe o presente que preparou para ele na escola (giro, muito giro!).
Mas o momento alto foi ouvi-la cantar a música que aprendeu especialmente para o dia do pai <3
Agora é conseguir convencê-la a cantar novamente para conseguirmos filmar.

14/03/14

Porque há dias em que tudo faz (mais sentido)

Hoje li este texto. É um blog que gosto de acompanhar e que me tem ensinado muito sobre a díficl arte de ser mãe.
Se há dias em que sinto o caminho mais incerto, em que tropeço ou chego mesmo a cair, hoje é um desses dias.
 
Ando pensativa. Diria que ando triste. A Maria voltou a chorar e a pedir para não ir para a escola. A palavra certa não é pedir, é suplicar...
Na semana anterior ao Carnaval esteve doente. Muito constipada e com febre. Ficou 3 dias em casa e quis ir à escola no dia da festa de Carnaval, embora ainda estivesse doente. Foi. E sei que por lá choramingou e dizia ter saudades nossas. Na semana seguinte teve 3 dias de férias e nos 2 dias seguintes ficou em casa por ainda não estar recomposta.
2ª feira voltou à escola e saiu de lá com febre (baixa mas febre). 3ª feira igual. Tem estado sem febre embora ainda continue constipada e eu quero acreditar que por este motivo anda mais fragilizada.
Chora e pede-me por tudo para não ir à escola. Diz que não gosta. Grita que odeia. Tento conversar com ela nos momentos em que se acalma e perceber o porquê. Depois de alguma insistência disse-me na 3ª feira à noite que há uma menina e dois meninos que lhe batem. Perguntei como, onde, se não estava ninguém por perto. Disse-me que é sempre no recreio. Diz ainda que odeia a comida da escola e que a obrigam a comer (esta é porventura a parte mais fácil de resolver) e diz-me que sente que ninguém acredita nela quando diz que lhe doi a testa (a cabeça) ou a barriga e pede para me ligarem (nunca ligaram).
Liguei para a escola na 4ª feira e falei com a professora. Disse-me que era verdade que ela andava mais chorosa e que sempre que chorava na sala dizia que tinha saudades nossas. Questionei se alguma alteração tinha havido na sala e de forma directa disse-lhe que ela nos tinha contado a muito custo que a tal menina e dois outros meninos lhe batiam. Assegurou-me que dentro da sala não era verdade e disse-me que ia pedir uma atenção especial no recreio.
Falei com a Maria e expliquei-lhe que tinha falado ao telefone com a professora e que na próxima semana ia conversar com ela. Sentia um pouco mais sossegada, mas hoje o tormento continuou.
E eu sentio-a diferente. Insegura. Pede constantemente para eu estar ao lado dela. Quer estar sempre ao colo. Pede-me para não sair de perto dela. Não a sinto com a alegria habitual.
Digo-lhe que acredito nela e que se algo não está bem, juntas vamos conseguir resolver.
Sossego-lhe as saudades e explico que eu também sinto saudades dela durante o dia, mas que a trago sempre comigo no coração. E que sei que quando sair do trabalho vamos estar as duas juntas e passear e brincar. E que ela pode sentir o mesmo. E que temos os fins-de-semana e as férias que são momentos especiais em que podemos estar mais tempo juntas.
E ando aos tropeções. E o meu coração diz-me que algo se passará. E no entretanto ela continua a ir à escola...
 

03/03/14

ditos dela

"Sabias que mais vale prevenir do que redemiar?"
Risos muito risos.
"Não sei porque é que te estás a rir. É mesmo verdade que eu aprendi no Manny Mãozinhas!"

Maria - a miúda que adora animais

Ontem, antes de dormir.
"Sabes mamã, eu adorava morar numa Quinta!"
"Ai sim? Então porquê?
"Por causa de estar perto dos animais mamã. Eu adoro animais."
"E qual é o teu preferido?"
"O cão. Espera também gosto de peixes e de vacas. Gosto de pintainhos e de coelhos. Ah! E de porco! Porque quando o porco morre dá-nos fiambre e bolachas de porco (aka TUC bacon) que eu adoro!"
E pronto. Assim se foi o momento fofinho...
 

20/02/14

Hoje preciso de Ajuda - Gonçalo na Alemanha

Eu sei que já vos pedi ajuda antes. E sei que sempre meajudaram.
Hoje não vou pedir ajuda para uma causa que me sensibilizou. Vou antes pedir ajuda para o meu primo, o Gonçalo.
 
O meu primo Gonçalo tem 22 anos e tem cancro. Pois.
 
A página do facebook onde podem acompanhar a luta é esta www.facebook.com/GoncalonaAlemanha e peço-vos que façam gosto e se puderem, contribuam com 1€ que seja para que juntos consigamos mandar o meu primo à Alemanha, onde neste momento, reside a esperança.
E partilhem p.f.
Nos vossos blogs, no facebook, nas empresas onde trabalham, aos amigos.
 
Obrigada.

13/01/14

vamos cantar as asneiras

Na passada 6ª feira informou-me que hoje, às 5.30h da tarde, tinha que ir à escola porque os meninos iam cantar.
Ok. Perguntei: mas o que vão cantar?
E ela começou a cantarolar com a voz de cana rachada passarinho, a cantilena, até que a ouço dizer:
".... as asneiras vimos cantar!"
 - Maria não é asneiras, é Janeiras, filha.
 - Mãe até pode ser Janeiras como tu dizes, mas na minha escola todos cantam asneiras e a música é mesmo assim.
 
A modos que hoje ela vai cantar as asneiras e eu lá estarei em modo mãe babada para ouvir.

31/12/13

uma estreia: catraia vai ao círculo

E eis que no domingo foi ao circo. Não, não me enganei no título, ela é que diz que foi ao círculo com a tia Ana e que gostou de tudo mas o que gostou mais foi de ver lá em cima as meninas "tranpezistas" com os fatos brilhantes.
Piroso? Brilhante? E novidades?

30/12/13

aos 5 faz encomendas ao Pai Natal (que escrever cartas com desejos não é coisa para ela)

Noite de Natal cá em casa. Pais, padrinhos, tios. Primos e mano. 12 pessoas por cá. Já passava da meia-noite e a catraia ouviu a campainha tocar. Tinha preparado um prato com um copo de leite e 3 bolachas para o Pai Natal que tinha deixado à porta.
- 3 bolachas Maria?
- Sim mãe. O Pai Natal está muito barrigudo e não pode comer muitas bolachas!
Depois de me mandar à frente à porta, porque tem um medo danado do Pai Natal e de me pedir para trazer os presentes para dentro, começa a loucura de rasgar o papel.
E de repente, diz ela:
 - Oh mãe, eu não encomendei isto! Se calhar o Pai Natal enganou-se.

Projecto Amelie

Já ouviram falar?
Podem ver mais aqui ou fazendo uma pesquisa no google ou no facebook.
Confesso-me entusiasta da ideia de termos o poder de mudar (ainda que por breves instantes) a vida de perfeitos desconhecidos. Imaginam o que sentiriam indo tomar um café e dizerem-vos que o vosso café está pago e entregarem-vos um bilhete a desafiar-vos a fazer o mesmo por alguém?
Parece-me que a minha resolução para 2014 será esta. Poder despertar um sorriso em alguém.

Adeus 2013. Olá 2014!

2013 foi um ano mau. Reformulando. 2013 foi um ano que me ensinou muito.
Foi o ano que em percebi que sem saúde nada feito. E não foi a mim que me faltou saúde, mas ao meu outro coração, que morando fora de mim, é meu como nenhum outro.
A princesa esteve doente. Doente a sério. Passamos por um pequeno pesadelo no Verão deste ano, com direito a dias de inferno até se descobrir a causa e finalmente uma cirurgia já no limite e com a princesa em risco de vida. Foi uma merda. Como deve ser sempre uma merda quando temos os nossos filhos doentes. Já me custava quando ela estava doente, com aquelas coisas a que não há como escapar. Uma amigdalíte, uma constipação, uma bronquiolite. Mas este ano... puxa... que ano...
E se não bastasse este grande susto, o estafermo deste ano vai terminar ainda com outro por resolver. A parotidite ainda mora na princesa e está a demorar tanto a passar, que mesmo depois da ecografia e dos 10 minutos que a peditra passou a apalpar a garganta da princesa na semana passada, mentiria se dissesse que estou sossegada.
E por isso para 2014 peço saúde para mim e para aqueles que amo e que nada nos falte. O resto é apenas isso. O resto. Claro que daria jeito que me saisse o euromilhões, ir de férias para longe apanhar sol e não fazer nenhum, conseguir levar em diante um projecto que anda a fervilhar na minha cabeça, ter o meu ordenado multiplicado por dois, mas olhando para 2013, se 2014 nos trouxer saúde a todos, será um ano bom.

19/12/13

ai 2013...

Ontem, do nada, a princesa diz que lhe doi uma orelha. Seria uma otite? No minuto seguinte recusa-se a jantar porque diz que lhe doi a abrir a boca. A custo consigo que abra e não vi nada de estranho. Com ela ao meu colo, percebi que a temperatura começava a subir e com olho clínico de mãe, reparei que tinha um ligeiro papo, entre a orelha que dizia que lhe doia e a linha do maxilar. Despe pijama. Esquece o jantar. Enfiamo-nos no carro. O que raio seria aquilo. A médica começou por falar-nos em parotidite, a inflamação das glândulas parótidas, vulgarmente designada por papeira. Confirmou que as vacinas estavam em dia e pediu uma e outra vez para ver a garganta da Maria. E voltou a ver. E chamou uma colega. E trocaram palavras em que percebi falarem de uma simetria da faringe. A médica que a estava a atender achava que sim. A colega achava que não. Chamaram outra médica. Todas amorosas e vestidas de cor-de-rosa. Eu senti as minhas pernas a tremer quase de imediato. Ainda se riram e perguntaram se não me queria sentar e se queria água. A Maria mantinha-se bem disposta. E continuavam a conversar e ouviamos: "Achas?" "Não me parece?", "Vejo qualquer coisa, mas parece uma infecção na garganta que pode aparecer e desaparecer", "Os gânglios estão enormes, dos 2 lados!". O pai encheu-se de coragem e perguntou que desconfiança tinham. A pediatra foi esquiva e disse que no momento era parotidite, o resto era apenas suspeita. Engoli em seco. A conversa continuou. Não havia hipótese de fazer ecografias à noite a não ser que fosse um caso crítico, por isso pediram-nos para hoje estarmos novamente na CUF antes das 9 da manhã e que a ecografia diria se seria ou não parotidite e que este seria o cenário desejável. Não conseguiria vir embora sem perguntar novamente. E ouvi a mesma resposta. Pediram-me para ter calma (really?) e que no dia seguinte já teríamos certezas.
Saímos. Coração apertado. Ela melosa e doce. Com mais febre. E com fome.
Ainda a caminho de casa googlei e encontrei o motivo do alarme. E senti o banco do carro desaparecer. E senti o meu corpo a tremer mais e mais. Nem uma palavra sobre o assunto. Com ninguém. Dormimos os 3 na nossa cama. Dormir é apenas uma forma de explicar que nos deitamos. Dormi a espaços e poucos minutos toda a noite. Agarrada a ela tanto quanto ela permitia. E pedia à minha avó sempre que me lembrava, que não permitisse que fosse nada daquilo. Que fosse o estafermo da papeira e que ficasse por aqui que já nos chegava. E agarrava-me a ela. Uma e outra vez.
Hoje a médica estava à nossa espera na urgência. Com a médica a quem já deveria ter passado o turno. Olhou para a minha cara e disse-me: "Mãe, não deve ter dormido muito!" Respondi-lhe que não, não tinha dormido, sem conseguir sorrir. Disse-lhe que estava muito assustada e ela disse-me que nem devia ter dito que tinha dúvidas e que ainda bem que não nos tinha revelado a dúvida. O pai, irónico, respondeu: "Adiantou muito..."
Disse-lhe que o google era meu amigo e ela riu-se dizendo-me novamente para ter calma. E percebi que ela tinha percebido que eu sabia do que desconfiava ela.
Assim que olhou para a Maria riu-se. E senti-lhe alívio no olhar. Repetiu depois de lhe ver a garganta e o papo próximo do maxilar já ruborizado: "calma mãe! isto ontem estava diferente e isto vai ser de caras uma parotidite!" E por momento, eu desejei com força, muita força que a minha filha tivesse papeira. Coisa estranha, pensei segundos depois, afinal é uma doença chata e que até pode trazer algumas complicações.
Lá fomos fazer a ecografia. E aqueles minutos com ecografo para a frente e para trás e eu sem conseguir ler o que pensava o médico... zero...  Até que parou e me disse: "Eu sei que estava nervosa, mas pode respirar de alívio. É uma paritodite do lado esquerdo, tendo os ganglios muito aumentados mas são reactivos, isto é, estão assim por estarem a regir a uma infecção. Não há qualquer nódulo, nem qualquer massa". E ele deve ter ouvido o meu suspiro. E viu o abraço apertadinho que dei à catraia, enquanto lhe dizia que estava tudo bem. Ela reclamava que ainda tinha gel por todo o lado e para não a apertar que lhe doia. Eu ri-me. E senti um alívio que só quem passa por um momento assim pode sentir.
Ninguém me avisou que ser mãe (também) era isto. Não conseguir descansar nunca. Sentir que não controlamos a vida dos nossos filhos. Sentirmo-nos impotentes e aos pedacinhos por suspeitar que algo de grave se passa com as nossas crias. Ter filhos doentes é uma merda. Uma grande merda.
Agora venham as férias na próxima semana, o Natal e o descanso de que tanto precisamos. E que o estafermo da papeira se vá tão rápido como surgiu. 
 
 

11/11/13

5 anos

Dia 8, foi dia de festa. E se tivesse que escolher uma só palavra para te definir seria esta. Festa.
Adoras festa. Fazes a festa. És boa a dar festas. O nosso verão foi uma "festa".
O teu verbo preferido é o verbo ir. Estás sempre prontinha para pegar na mochila e ir passar um dia ou vários a casa de tios e amigos. É uma festa. E a verdade é que tiveste o dom de transformar a nossa vida numa festa permanente.
Socorri-me do dicionário para encontrar a definição de festa e diria que à excepção do sentido religioso da coisa, já que não és santa nenhuma, tudo o resto te assenta como uma luva.
 
"substantivo feminino

Reunião em que regozijo.

2. Dia de comemoração.

3. [Religião]   [Religião]  Dia santificado; função religiosa com que se celebra um dia santificado.

4. [Figurado]   [Figurado]  Alegria, regozijo.

5. [Informal]   [Informal]  Gesto ou demonstração de um sentimento de ternura ou de afecto. = AFAGO, CARÍCIA, CARINHO, MIMO

6. Bom acolhimento.

7. Trabalheira, cuidados.



"festa", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/festa [consultado em 11-11-2013].
substantivo feminino

1. Reunião em que regozijo.

2. Dia de comemoração.

3. [Religião]   [Religião]  Dia santificado; função religiosa com que se celebra um dia santificado.

4. [Figurado]   [Figurado]  Alegria, regozijo.

5. [Informal]   [Informal]  Gesto ou demonstração de um sentimento de ternura ou de afecto. = AFAGO, CARÍCIA, CARINHO, MIMO

6. Bom acolhimento.

7. Trabalheira, cuidados.



"festa", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/festa [consultado em 11-11-2013].
substantivo feminino

1. Reunião em que regozijo.

2. Dia de comemoração.

3. [Religião]   [Religião]  Dia santificado; função religiosa com que se celebra um dia santificado.

4. [Figurado]   [Figurado]  Alegria, regozijo.

5. [Informal]   [Informal]  Gesto ou demonstração de um sentimento de ternura ou de afecto. = AFAGO, CARÍCIA, CARINHO, MIMO

6. Bom acolhimento.

7. Trabalheira, cuidados.



"festa", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/festa [consultado em 11-11-2013].
1. Reunião em que há regozijo
2. Dia de comemoração
3. (religião) Dia santificado; função religiosa com que se celebra um dia santificado" 
[Religião]  Dia santificado; função religiosa com que se celebra um dia santificado.

"festa", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/festa [consultado em 11-11-2013].

4. (figurado) Alegria, regozijo
5. (informal) Gesto ou demonstração de um sentimento de ternura ou de afecto
6. Bom acolhimento
7. Trabalheira, cuidados"
 
Por seres como és. Por termos a sorte de seres nossa filha. Parabéns princesa pelos teus 5 anos maravilhosos

01/11/13

quem tem um nariz tem tudo

 - Papá quantos anos tens?
 - Tenho muitoooos filhota!
Ela de nariz de cão no ar a cheirá-lo.
 - O que estás a fazer Maria?
 - Estou a ver se cheiras a velho!

31/10/13

Maria e a esponja

A propósito da professora de ginástica deste ano ser namorado do professor de ginástica do ano passado.
"Sabes mãe, não percebi nada do que o Professor Nando me disse, porque antes dizia que ela era namorada, agora diz que é esponja porque casaram!"

28/10/13

pois claro

6ª feira à noite. Eu a correr a preparar uma encomenda grande by feito cá em casa para entregar sábado na hora de almoço. Pizza no forno e 15 minutos para jantar. Ela senta-se à mesa e diz que quer ver desenhos no computador. Pergunto o que quer ver. Responde e pede-me para cortar uma fatia de pizza aos pedacinhos que assim arrefecia mais rápido.
Resmungo que só posso fazer uma coisa de cada vez. Ou corto a pizza ou procuro no youtube os 3 porquinhos.
"Ai sim?!? Mas tu tens dois bracinhos!"

14/10/13

e tu cresces

sabendo que é apenas mais um lugar comum, este é o nosso lugar comum. Estás crescida princesa...
Do alto do teu metro e doze, vês hoje o mundo de outra forma. Já percebes o mundo embora ainda o vejas desfocado (ou será mais nítido) como só os olhos de uma criança conseguem ver.
Tudo o que parece complicado é para ti simples, simples. E aprendo tanto contigo a cada dia... Diria mesmo que aprendo muito mais contigo do que aquilo que te consigo ensinar. Trouxeste-me a mim outra forma de olhar para a vida. Ajudas-me sempre a distinguir o que importa e o que não tem importância nenhuma.
És uma menina doce. Mimada também. Despachada. Determinada. Algo insegura (embora disfarces tão bem as tuas inseguranças que só quem te conhece tão bem, consegue perceber). Faladora. De resposta sempre pronta. De sorriso fácil.
És gira. Adoro perder-me nos teus caracóis dourados e nos teus olhos cor de burro quando foge (mudem de cor como dizias ainda não há muito tempo). És curiosa. Interessada. Adoras animais. Não ligas muito a brinquedos. Amas papeis e lápis e canetas. E puzzles. Tens uma imaginação prodigiosa. E cada vez mais jeito para desenhar. Conheces grande parte das letras. Sabes escrever o teu nome, o meu, o do papá. Pedes muitas vezes que escrevamos numa folha uma ou outra palavra para que a possas copiar. Gostas de sol. Gostas de praia (quem te pode condenar). Mas com o mesmo sorriso encaras um dia de chuva, porque te trás as poças em que gostas de saltar (eu não digo que aprendo todos os dias contigo?). És apaixonada pela vida. És resistente. Dura. Gostas de tostas mistas. Adoras fruta. Gostas de brincar ao faz de conta. És a minha companheira. A minha compincha para tudo, excepto para ir ao shopping às compras. A não ser que inclua brinquedos, é programa de que não gostas. Tenho contigo uma cumplicidade sem par. Percebo-te só de olhar para ti. E tu percebes-me da mesma forma (o que nem sempre é bom, porque a minha lente do mundo, já não é como a tua).
És responsável. Corajosa. És muito menina. Não viras a cara à luta. És fofinha. Observadora. Atenta. És malandra. Tens um sentido de oportunidade refinado e cada vez mais apurado.
Tens memória de elefante. És trapalhona e tantas vezes desastrada. Cais muitas vezes. Vais contra os móveis. Adoras saltar em cima da cama. E andar pela rua sem calcar os riscos pretos ou andar pela nossa garagem sempre por cima do risco amarelo. Gostas de andar de baloiço a grande velocidade. Gostas de escorregas mas no parque infantil tudo o que sirva para trepares está no topo das tuas preferências.
És bem disposta. Risonha. Adoras fazer os outros rir.
Não és esquesita a comer. Adoras sopa de bróculos e de alho francês. Preferes peixe a carne. Comes feijoada feita pela avo. Gostas de bacalhau com natas. Comes iogurtes, mas preferes de longe leite simples. Não gostas de leite com chocolate. Aliás chocolate só o ovo kinder e mesmo esse tens que estar para aí virada.
És independente. Adoras passeio. Ver-te feliz é deixar-te dormir em casa dos avós, dos tios, dos amigos.
Gostas de ver fotografias de quando eras bebé. Fazes muitas perguntas. E não te contentas com uma resposta qualquer.
Dás pulos de alegria genuina quando ao chegar a casa vês que as sementes de salsa que plantaste na floreira da cozinha estão a crescer. Ensinas-me que as pequenas conquistas nos dão motivos para sermos felizes.
Gostas de cozinhar. De misturar farinha com ovos e açúcar, meter tudo numa forma e esperar que dali saia um bolo.
Sozinha já fizeste em casa da avó um bolo de iogurte. E todos comeram para teu orgulho.
És única. Nossa. E como tão bem dizes sempre que vês um M, se é M é de Maria. E assim é na nossa vida.

04/10/13

a quase 1 mês dos 5 as perguntas são (ainda mais) complicadas

Ontem ao fazer o caminho de casa dos meus pais para nossa casa, passamos, como passamos sempre, em frente a um cemitério.
 - "Mãe que terra é aquela?"
 - (humpf...)... "Chama-se cemitério princesa e é o sítio para onde vão os corpos das pessoas quando morrem, porque as almas que é o que mais importante temos cá dentro, vão para o céu e transformam-se em estrelinhas..."
 - "Mãe, quer dizer que todas as pessoas vão morrer? Mãe, eu não quero morrer. Não quero que vocês morram, não quero que a avó morra. Não quero que morra a Teresinha nem a Marta da minha escola.... "(isto já vai não vai para começar a chorar)
- "Filha não te preocupes com isso que só morremos todos quando já formos muito, muito velhinhos..."
- "Mas mãe e depois quem fica nesta terra se morrermos todos? E quem escolhe o dia em que nós morremos?"
(Óh que caraças que já estava com um nó na garganta com esta conversa) 
- "Filha quem escolhe o dia é Jesus e ele gosta muito de nós, por isso não tens que te preocupar....
- "Mas mãe e se ele escolher que eu tenho que morrer? "(lágrimas, muitas lágrimas... as dela visíveis, as minhas engolidas como podia)
E pronto, tive que inventar e desanuviar e respondi-lhe como me veio à cabeça:
 - "Filha ele não faria isso, que não se queria habilitar a que a mamã e o papá lhe dessem uma tareia... Sabes é que ele já é velhinho, por isso se se metesse connosco estava tramado..."
 Ela já a rir:
- "Mamã se Jesus é velhinho então anda de bengala e assim (e curva-se para a frente)... Já percebi... Afinal não tenho medo. Mas sabes mamã se um dia formos estrelinhas quero que sejamos uma família de estrelinhas no céu para estarmos sempre juntos. Achas que lá há coisas para brincar?..."
 

02/10/13

by Maria - age 4 (só porque a Mariana pediu)

E porque achou que conseguia fazer ela própria um trocadilho do género dos que o padrinho lhe ensinou e que não se cansa de repetir...
 
Mãe, sabes o que diz uma cenoura para outra cenoura? Tu cenouras-me
 
E risse como se não houvesse amanhã assim que termina de dizer a graçola, o que faz com que me ria também da tontice. Resultado, repete a toda a gente, convencida que tem piada.

by Maria - age 4

Mãe, sabes o que diz um tubarão para outro tubarão? Tu baralhas-me!

30/09/13

um aumento? really?

Apesar de ser 2ª feira, o tempo estar escuro e estar com imensar dores de cabeça, acabo de descobrir que fui "aumentada". Passei a receber diuturnidades aqui na empresa por estar cá há 3 anos. E estes eurinhos extra dão para pagar o seguro de saúde da Maria todos os meses :)
Já no mês passado descobri (estava de pseudo-férias com a Maria no hospital quando foi comunicado) que fomos aumentados. Verdade que foi um aumento de 1.5% mas como em Janeiro nos informaram que este ano não haveria aumentos, foi uma agradável surpresa.

27/09/13

Ela e o dentista

A Maria tinha uma cárie malandreca bem no meio dos 2 dentinhos da frente. Chorava baba e ranho que não queria ir ao dentista e na 1ª consulta estivemos lá umas 2 horas para deixar fazer qualquer coisa e só deixou, sentando-me eu na cadeira e ela ao meu colo. Mérito da fantástica dentista pediátrica que nos foi recomendada, veio de lá feliz e com a promessa de que se na próxima consulta se portasse muito bem, vinha de lá com um brilhante num dentinho.
Ontem foi dia de consulta e notávamos que ia já bem mais tranquila. Chegamos e esteve a brincar com o filho da dentista (um terrorista lindo) que acabou por até querer ficar no consultório com ela enquanto tratava dos dentinhos.
Nunca imaginei que se portasse assim. Uma tranquilidade. Beijinhos para a Danny (a dentista maravilha). Sorrisos. Nada de tensão. Sempre a sorrir e bem disposta. Até houve broca (que da outra vez nem pensar) e deixou fazer tudo, tudo.
Estava a consulta a terminar e ela ainda de boca aberta diz: "o bi..ante"... Pois que não se tinha esquecido e veio de lá feliz e saltitante de brilhante no dente. Estávamos a pagar a consulta e ela de sorriso de boca bem aberta para a menina ver o brilhante... como não dizia nada, disse ela :)
E assim, com um brilhante, foi-se o medo do dentista, foram-se os receios, o choro, os nervos. Simples assim.

23/09/13

Adeus chupeta

Sim, sei que ela já tem 4 anos e que está a menos de 2 meses de fazer 5, mas para adormecer ainda pedia sempre a chupeta. Tentamos no Natal passado dizer-lhe que o Pai Natal precisava dela para dar aos meninos pequeninos e ela encheu-se de coragem, meteu-as num saco e deu ao Pai Natal para que lhe trouxesse os presentes pelos quais suspirava. Na hora de ir dormir o caso mudou de figura. E rapidamente começou a chorar, a chorar muito a dizer que tinha saudades da pépé e que não ia conseguir dormir. O pai cedeu e deu-lhe novamente as chupetas.
Na 2ª feira passada acordamos com meia chupeta já roída e vomitada pela Carlota e ao fim da tarde quando perguntou por ela, contamos-lhe o que aconteceu. Foi dormir sem chupeta e deu voltas e mais voltas na cama até adormecer. Adormeceu. Na 3ª voltou a perguntar por ela e a ter dificuldade em adormecer. E depois acabou-se. Não nos pergunta por ela. Não pede a chupeta para ir dormir. E foi um processo natural e calmo como queríamos que fosse. Sem gritos, sem choro, sem traumas.

12/09/13

E é já amanhã

Que ela regressa à escola. A escola é a mesma mas tudo o resto muda. Muda a professora, muda a sala, mudam grande parte dos colegas (que com as regras apertadas deste ano, vão ficar mais 1 ano na sala da pré-primária 4 anos porque só fazem 5 no próximo ano, ainda que grande parte logo ali no início do ano).
Dos mais de 20 meninos da sala da Maria do ano passado, vão 4 com ela para a sala nova. Para nosso azar os que vão são aqueles com ela tem menos laços. Todos os outros ficam. Ela já sabe que vai para a sala dos grandes e que a professora Ana Paula (que ela adora) este ano não foi colocada na escola dela (com muita pena dela e minha). Sabe que os amigos de sempre Matilde e João vão  ficar na sala dos pequeninos e já fala disso com naturalidade. Pior vai ser quando perceber que todas as meninas com quem se dá melhor, vão ficar na sala dos pequeninos juntas e ela vai estar ali ao lado. Estarão juntas no recreio, é verdade, mas não é a mesma coisa.
Amanhã vai ser dia de apresentação. Vou com ela e a menos que queira não ficará na escola todo o dia. Segunda-feira começa a sério. Estou aqui com um nó na garganta só de pensar em como vai correr o dia amanhã. Em como vão correr os dias seguintes. Em como vou responder aos porquês que aí vêm. Como lhe explico que a professora queria ficar mas que o esquema de colocação de professores tem outras regras? Como lhe explico que afinal as raízes que criou o ano passado (e foi um ano com altos e baixos, com dias em que ia sorridente e outros tantos em que ficava chorosa na escola) ficaram no ano passado e que este ano começa tudo de novo?
Sei que ela é uma menina sociável e que com mais ou menos dificuldade se acabará por adaptar, mas preferia que fosse de outra forma...
 
E é também amanhã que o meu afilhado lindo vai para a escolinha pela 1ª vez :)

11/09/13

Maria e as conversas de elevador II

Há uns dias chegamos a casa e o pai teve que sair para fazer qualquer coisa, assim que chegamos. Ela quis ir com ele.
O elevador pára, entra um vizinho e ela soltou um sonoro: "Outra vez?!?!"
O pai com cara de espanto: "Então Maria?"
"Óh pai, então ainda agora subiu comigo e com a mãe no elevador e já vai outra vez para baixo!?!?!"
Risota, pois claro, e o vizinho a dizer: "pois ela é que tem razão!"

Maria e as conversas de elevador

Ontem ao entrar no nosso prédio, o nosso vizinho do lado entra também.
Entre perguntas sobre a Carlota (a Yorkshire mini da Maria) disse à Maria: "Tu estás grande! E muito gira!"
Ela entre risos e gargalhadas, respondeu: "pois, eu sei..."
Até aqui nenhuma novidade que esta é a resposta típica sempre que alguém a elogia a ela ou aos caracóis dourados.
No elevador e já pertinho do nosso andar, o vizinho mete a mão no bolso da farda e diz: "Xi... Vou ter que voltar para baixo que me esqueci da chave de casa no carro..."
"Tanta pressa, tanta pressa... só podia dar nisto!" - disse a Maria em tom de ironia.
E se eu me ri e pensei esta catraia tem cada uma... o vizinho ria-se à gargalhada e desceu no elevador ainda a rir (como o elevador é panorâmico, conseguiamos ver ao entrar em casa). E sua excelência ainda observou: "olha, olha... e agora vai-se a rir feito tolinho"

19/08/13

a propósito de não falar com estranhos

A minha tia escolheu uns pares de meias que estavam pousados num balcão de uma loja com a indicação: 4 pares/5€ (preço de saldo). Pagou com uma nota de 10€ e esperou o troco. O troco não veio. Perguntou e responderam que aquelas afinal não eram as meias da promoção que eram outras. Ainda que não esteja correcto, a minha tia não estava para se chatear e pediu então para anularem a venda, que por 10€ não queria as meias.
Ah.... Mas não fazemos devoluções, por isso a nota que acabou de entrar na caixa registadora já não sai...
 
Eu por perto, a minha tia pede o livro de reclamações que não há forma de aparecer e eu lá fui dizer à menina que nos atendia que se não houvesse livro de reclamações iria chamar a polícia, porque aquilo que estavam a fazer era um roubo...
 
A minha querida filha, com cara de minha mãezinha, puxa-me pelo braço e diz-me: "Mãe, vamos embora. Estou farta de te dizer que não deves falar com pessoas que não conheces!"

Maria a materialista

Não sei foi ontem que viu pela primeira vez um Porsche. Sei que foi a primeira vez que, ao passar por ele, se deitou quase literalmente em cima do capot enquanto olhava para o símbolo do dito cujo e entre "uaus" e suspiros disse que aquele carro era lindo.
Não tem mau gosto, portanto.
A minha madrinha estava connosco e disse-lhe que aquele carro era giro e que o meu padrinho também gostava muito. E que era um carro muito caro. E a brincar disse-lhe que devia arranjar um namorado rico, que tivesse um carro daqueles.
Ela calou-se. Coisa rara, portanto.
Entrou no carro dos meus padrinhos e voltou a puxar o assunto...
 - "Tia explica-me melhor aquilo dos miúdos ricos..."
 - "É simples Maria. Tens muitos amigos e perguntas-lhes os nomes e de onde é que eles são. Dizes à Tia e a Tia descobre se são ricos..."
 Ela muito interessada no assunto... "Mas não pergunto se são ricos?"
 - "Não... a Tia depois descobre e o mais rico escolhes para teu namorado!"
Eu lá aproveitei a pausa no entusiasmo e disse-lhe que o que interessava era o que ia no nosso coração e não o carro que tínhamos e se tínhamos ou não muito dinheiro. Interrompeu-me em 2 segundos.
  -"Lamento mãe, mas sobre isto a tia tem razão. Quero um namorado rico. Sempre quis ter uma Quinta com animais e muitos póneis....e se tiver um namorado rico também não tenho que trabalhar e chegar a casa cansada... que trabalhar às vezes deve ser charo... Ele vai trabalhar e eu fico em casa. E se quiser ir passear, vou de avião e vou sempre que me apetecer! E depois se ele tiver um Porsche... Eu gosto de Porsches mãe... Já sei o que tenho que perguntar para a TIa Minocas descobrir se os miúdos são ricos..."
 
Bonito.

a propósito da campanha eleitoral

Numa rua em Matosinhos, ela vê um cartaz de um candidato à Câmara.
 - "Mamã, quem é aquele senhor?"
 - "É um candidato à Câmara de Matosinhos"
 - "O que é um candidato?" - esta foi fácil pensei eu explicando-lhe que era um concorrente, como numa corrida em que correm todos e só um chega 1º.
 - "E o que faz um Presidente da Câmara, mamã?" - ora bolas... às vezes eu mesma me faço estas perguntas, mas adiante. Expliquei de forma que achei que ela perceberia.... "É o senhor que manda nos horários dos polícias, que decide a hora em que os lixeiros recolhem o lixo, que define as tarefas e os horários dos jardineiros, e dos senhores que trabalham nas águas..."
Ela decidida interrompe-me.
 - "Quando chegarmos a casa vou tratar de fazer um horário com as tarefas. A hora de tomar banho, a hora de fazer o jantar, a hora de arrumar o quarto...!".
Sim, e....
"É que assim posso ser eu a Presidente da Câmara!"

14/08/13

de gravidez adolescente já tinha ouvido falar

mas aos 4, parece precoce...
 
Ao contar à nossa amiga Cláudia a aventura que teve a andar no rinoni (aka ambulância, qaundo foi transferida do Hospital de S. João onde foi operada, para o Hospital de Santo António, onde ficou internada):
 
 - Sabes Claudia, eu andei de rinoni porque eu estive...estive grávida no hospital (leia-se internada no hospital)
 
Oi? Grávida? Risos.

Maria a diplomata

A lambuzar-se com uma tosta mista, depois de se ter recusado a provar o macarrão que havia para jantar (nova receita e com aspecto estranho para ela por ter uma espécia de crumble salgado por cima).
 - Mamã querida do meu coração, eu gosto muito de ti!
 - Eu também gosto muito de ti, mas gostava que tivesse experimentado a massa que a mamã fez para jantar...
A resposta veio a meio de uma trinca e com o olhar mais meloso e doce do mundo...
 - Vá mamã, não fiques triste. Da próxima vez que fizeres eu prometo que experimento um bocadinho...

09/08/13

agora que o mau tempo passou

Sempre fui uma mãe que beija e abraça e diz que te ama. Sempre. Melosa. Às vezes, ficas cansada e dizes-me com ar enfastiado que já chega. Não chega. Nunca chega.
Se nunca chegou, depois de há uns dias te ter sentido a fugir de mim para a terra dos anjos e das estrelinhas, a coisa piorou.
Mais do que nunca, gosto que me peças para te abraçar enquanto adormeces. Mais do que nunca me emociono a ver-te sorrir. Mais do que nunca sinto o previlégio que é ter-te na minha vida. E dou-te ainda mais beijos e mais abraços e digo vezes sem conta que gosto de ti.
Tivemos este ano as férias mais atribuladas de sempre e vivi (eu e o papá) muito recentemente o dia mais duro da minha vida.
Tu foste à luta. Por trás do teu sorriso malandro e dos teus caracóis dourados, és forte princesa. Uma guerreira. Uma apendicite que levou 9 longos dias a ser descoberta. Peritonite. Infindáveis visitas a este e aquele hospital. Cirurgia já no limite e com a tua cavidade abdominal com a infecção muito espalhada. E no momento em que soube que algo de muito grave se passava e senti uma dor que de tão forte me parecia física e não na alma, em que chorei descontroladamente à tua frente, assim que ouvi as palavras que a senhora da bata branca me disse... tu agarraste-me o rosto com as duas mãos e pediste-me que tivesse calma, que tudo ia ficar bem.
Claro que na tua inocência não percebeste a verdadeira dimensão daquilo porque passaste. E ainda bem. Mas ter-te ali, naquele momento, em que as tuas dores deviam ser imensas e já duravam há 9 longos dias, magrinha e fraca a dizer-me a mim, para ter calma, foi coisa para me deixar ainda mais aflita.
Tive medo. Muito medo. Aliás. Sempre tive medo. Mas não medo assim. Porque este não era o medo de pensar se algum dia lhe acontece alguma coisa... Este era o medo de pensar que aconteceu e que o cenário é complicado e não sabemos como vai correr no fim...
Entraste para o bloco operatório pouco depois e adormeceste de mão dada comigo. Eu ali. A teu lado. Para evitar que o teu medo te levasse a adormecer demasiado agitada, deixaram que estivesse contigo no bloco, até adormeceres. E foi altura de fazer das tripas coração e sorrir quando por dentro chorava, e tranquilizar-te, tal como há minutos tinhas feito por mim. E retribuir as tuas palavras: vai ficar tudo bem...
E depois foram minutos que pareceram horas, horas que pareceram dias. Até sabermos o que afinal se passava dentro da tua barriguinha e que ninguém conseguia descobrir e até o telefone tocar antes da porta do bloco se abrir e alguém nos dizer, correu tudo bem...
Afinal tinhas razão princesa. Eu não tive calma. Mas tudo ficou bem.